Governo de Canadá
Símbolo Governo de Canadá

Governo do Canadá

brasil.gc.ca

Breadcrumb

  1. Página inicial

Comitê Conjunto Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação: Plano de Ação Inaugural

(Minuta de 23 de abril de 2012)

“(Os Mandatários) assinalaram a importância estratégica do recém-estabelecido Comitê Conjunto Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação. (Os Mandatários) concordaram em desenvolver um Plano de Ação focado na pesquisa, desenvolvimento e comercialização de projetos conjuntos em biotecnologia e ciências da vida, tecnologia de oceanos, tecnologia da informação e da comunicação, energia limpa, tecnologias verdes e nanotecnologia.”

Declaração Conjunta Brasil-Canadá
Presidenta Dilma Rousseff e Primeiro Ministro Stephen Harper (08 de agosto de 2011)

 

ÍNDICE

RESUMO EXECUTIVO

INTRODUÇÃO

O PLANO DE AÇÃO

  1. Áreas Prioritárias Propostas para Cooperação Brasil-Canadá
    a. Ciências da Vida
    b. Ciência e Tecnologia para os Oceanos
    c. Energia Verde e Tecnologias Limpas
    d. Tecnologias da Informação e das Comunicações
     
  2. Seguir em Frente - Um Plano de Ação - Modalidades
    a. Estímulo a Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
    b. Construção de Pontes e Aperfeiçoamento da Mobilidade de Estudantes/Pesquisadores
    c. Promoção de Eventos Brasil-Canadá
    d. Comunicação e Apoio
     
  3. Tabela com Resumo das Ações
     
  4. Assegurar a Sustentabilidade

COMENTÁRIOS FINAIS

ANEXO 1: Acordo para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação

ANEXO 2: Programas de Trabalho dos Grupos de Trabalho

 

RESUMO EXECUTIVO

O Acordo-Quadro Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, ratificado em 2010, marcou o início de uma nova era na colaboração entre Brasil e Canadá que servirá como catalisador para o fomento à inovação e a prosperidade em áreas de interesse e expertise comuns.

Os dois governos deram mandato ao Comitê Conjunto para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação para supervisionar a implantação deste acordo histórico. Reunido pela primeira vez em junho de 2011, o Comitê rapidamente chegou a um consenso de que Brasil e Canadá não apenas estão bem posicionados para assumir o desafio de desenvolver produtos e tecnologias com liderança mundial com o objetivo de abordar necessidades não atendidas, mas juntos podem também extrair valor social e comercial desses esforços de cooperação em benefício de ambas as economias nacionais e do mundo.

Por meio de seus grupos de trabalho setoriais, que contaram com a participação ativa de especialistas líderes tanto no Brasil quanto no Canadá nos setores público e privado, o Comitê determinou que as oportunidades para estes esforços conjuntos serão particularmente destacadas em quatro áreas específicas que estão diretamente ligadas às estratégias de inovação dos dois países:

  • Ciências da Vida, com ênfase particularmente no desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico, produtos farmacêuticos e biofarmacêuticos relativos a doenças neurodegenerativas e infecciosas;
  • Ciência e Tecnologia para os Oceanos, incluindo tecnologia de sensores de próxima geração e plataformas oceânicas, sistemas de observação oceânica e costeira e tecnologias de gerenciamento de dados;
  • Tecnologias Limpas e Energia Verde, com ênfase no desenvolvimento de recursos hidrelétricos e de hidrogênio, redes inteligentes (smart grid), mineração verde e a introdução de nanotecnologia para a energia verde; e
  • Tecnologias da Informação e das Comunicações, com ênfase em computação em nuvem (cloud computing), rede de banda larga sem fio e tecnologias de jogos.

O Comitê determinou também que nanotecnologia e práticas e iniciativas de inovação devem ser considerados temas transversais a serem incluídos sempre que possível na seleção conjunta de iniciativas.

O Comitê decidiu que a pesquisa e desenvolvimento (P&D) nessas áreas selecionadas deve ter por metas programas, práticas e políticas que beneficiem específica e diretamente a economia e a sociedade de ambos os países. Para este fim, os principais atores interessados implementarão conjuntamente uma agenda detalhada de atividades específicas nos próximos 12  a 24 meses, por meio da combinação de modalidades inter-relacionadas. Estas incluem:

  1. Patrocínio de projetos específicos de P&D mediante ação conjunta entre setor produtivo-academia-governo nas áreas prioritárias identificadas acima, com o objetivo de desenvolver produtos e/ou serviços que possam ser comercializados com êxito pela indústria. Destaca-se como exemplo o lançamento nesta primavera do Edital de Licitação de $4,5 milhões, custeado pelo governo federal canadense, que deverá ter contrapartida das instituições brasileiras parceiras;
  2. Coordenação de programas de estímulo à mobilidade de estudantes e pesquisadores na indústria e na academia, mediante programas existentes, tais como o “Prêmio Brasil-Canadá” e novas iniciativas baseadas nas oportunidades criadas pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo brasileiro;
  3. Organização de conferências, oficinas de trabalho, atividades de desenvolvimento de parcerias e outros eventos com ampla participação tanto do Brasil quanto do Canadá, inclusive a proposta de conferência de mídia digital “Brasil-Canadá 3.0”, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a realização de encontros profissionais setoriais nos dois países; e
  4. Desenvolvimento de mecanismos de comunicação eficazes e de amplo alcance para informar atores interessados em potencial, dar publicidade aos benefícios da cooperação Brasil-Canadá em ciência e tecnologia e relatar os sucessos obtidos com o passar do tempo por essa atividade.

O Comitê renova seu compromisso de cumprir os objetivos descritos no Acordo mediante as estratégias delineadas acima e o desenvolvimento permanente de novas oportunidades para participar de atividades conjuntas. O Plano de Ação é, portanto, um documento vivo, sujeito a aperfeiçoamentos contínuos e crescentes. O Comitê revisará anualmente o progresso das atividades desenvolvidas no âmbito deste Plano de Ação. Por meio deste Plano, Brasil e Canadá resolvem firmemente explorar de forma ampla a oportunidade decorrente criação de um quadro de cooperação nos quais representantes dos governos, dos meios acadêmicos e do setor privado possam colaborar de maneira consistente e abrangente. A sinergia assim gerada é um ativo valioso que nós, o Comitê Conjunto para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, pretendemos fomentar por muitos anos.

 

INTRODUÇÃO

Uma abordagem conjunta e equilibrada do intercâmbio de pessoas e ideias resultará em um movimento de talentos e atividade comercial nunca visto antes entre nossos dois países, cada vez mais sustentado por vários novos programas já em andamento. Conforme as pessoas começam a cruzar nossas fronteiras dentro do contexto de uma “missão conjunta”, isto não terá nenhum outro efeito senão o de criar familiaridade, um objetivo comum e um comprometimento com a excelência… no intercâmbio Brasil-Canadá, de forma a construir a fundação sobre a qual nos apoiaremos. Nesse momento, e apenas nesse momento, poderemos verdadeiramente dizer que estabelecemos uma relação bilateral saudável e produtiva - uma relação que certamente pavimentará o caminho em direção a uma cooperação muito mais ampla em diversas outras frentes, da segurança global à saúde e sustentabilidade ambiental. Daqui a 50 ou 100 anos, os historiadores poderão olhar para trás e ver que este período representou um dos melhores e mais produtivos períodos no relacionamento entre Brasil e Canadá em termos de geração de valor interno e global

Brasil e Canadá têm cooperado há muitos anos em áreas de interesse estratégico, tal como a promoção da segurança, propriedade e governança democrática, e assinaram diversos acordos, tratados e memorandos de entendimento sobre temas que variam de educação a saúde, mineração sustentável e trabalho. Vale acrescentar que Brasil e Canadá têm sido, há muito tempo, parceiros fortes na promoção da ação conjunta em ciência e tecnologia de uma perspectiva “bottom-up”, pela qual o diálogo entre os especialistas brasileiros e canadenses tem sido a marca constante da relação.

Apesar disto, existe há muito tempo um desejo expresso em ambos os governos de alavancar a atividade existente para fortalecer ainda mais os laços bilaterais, com vistas a promover o fortalecimento de parcerias comerciais e do bem estar econômico em ambos os países. Para esse fim, ciência e tecnologia têm sido prontamente reconhecidos como a base adequada para esse tipo de cooperação avançada. Ambos os países fizeram investimentos consideráveis, e possuem desenvolvimento considerável em campos-chave - particularmente no que se refere à extração de recursos e manufatura avançada -, e a cooperação prova-se constantemente ser a base essencial para a inovação que resulta em prosperidade econômica.

Os governos brasileiro e canadense, ao reconhecer que a economia global dependerá cada vez mais do conhecimento e inovação, estabeleceram um quadro formal para a cooperação por meio da indústria, meios acadêmicos e governo, com a celebração do Acordo-Quadro Canadá-Brasil para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação (Acordo C,T&I), em 2008. Ratificado em 2010, o Acordo marca o início de uma nova era na colaboração entre Brasil e Canadá e pode servir de catalisador para fomentar a inovação em áreas de interesse comum.

Pelo Acordo estabelece-se a criação de um Comitê Conjunto para supervisionar a sua implementação. Quando o Comitê reuniu-se pela primeira vez, em junho de 2011, chegou a um consenso sobre a necessidade de desenvolver um plano de metas que estabelecesse a direção, aproveitasse o momento e impulsionasse o relacionamento para um novo nível. Grupos de trabalho foram posteriormente formados para explorar e refinar ainda mais as áreas de cooperação e para desenvolver planos estratégicos que formariam o núcleo do Plano de Ação  de Ciência e Tecnologia mais amplo, com foco em inovação.

Após meses de consultas e desenvolvimento, e o estabelecimento da forte fundação bilateral entre os dois países, este Plano de Ação conjunto Brasil-Canadá inaugural estabelece diversas iniciativas e ações-chave a serem implantadas em áreas prioritárias estratégicas nos próximos dois anos e faz recomendações direcionadas a assegurar o sucesso inicial. O Plano de Ação é pensado como um meio de mobilizar atores interessados brasileiros e canadenses, com vistas a fortalecer a ação conjunta bilateral em pesquisa e inovação.

Os participantes são convidados a apresentar comentários ao texto e a participar da implementação do Plano de Ação. O Comitê Conjunto revisará anualmente o progresso atingido no âmbito deste Plano de Ação.

 

O PLANO DE AÇÃO

1.  Áreas Prioritárias Propostas para a Cooperação entre Brasil e Canadá

Brasil e Canadá não apenas estão bem posicionados para assumir o desafio de desenvolver produtos e tecnologias com liderança mundial com o objetivo de abordar necessidades não atendidas, mas juntos podem também extrair valor social e comercial desses esforços de cooperação em benefício de ambas as economias nacionais. As oportunidades para esses esforços conjuntos são particularmente relevantes em quatro áreas, identificadas pelo Comitê Conjunto Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação: Ciências da Vida; Ciência e Tecnologia para os Oceanos; Tecnologias Limpas e Energia Verde; e Tecnologias da Informação e das Comunicações. Para informações mais detalhadas, consulte os programas de trabalho de cada área no Anexo II.

Os países parceiros também concordaram que a P&D nessas áreas deve ter por metas, sempre que possível, programas, práticas e políticas de inovação que beneficiem a economia e a sociedade de ambos os países. Com esse propósito, Brasil e Canadá concordaram que a implementação do Plano de Ação no âmbito dos grupos de trabalho correspondentes contará com a participação e apoio de representantes da academia, dos setores da indústria e serviços e do governo.

1a. Ciências da Vida

Brasil e Canadá possuem indústrias na área de ciências da vida extremamente vibrantes e em expansão, pois ambos hospedam afiliadas das principais líderes globais em tecnologias farmacêutica e médica. Ambos os países representam mercados de segundo nível importantes para produtos farmacêuticos e aparelhos médicos inovadores. Além disto, pequenas e médias empresas domésticas de ciências da vida crescentemente destacam-se como condutoras de descobertas e inovação em ambos os países. Devido à sua crescente prevalência e custos econômicos em potencial, doenças neurodegenerativas e infecciosas são dois alvos essenciais na colaboração futura entre Brasil e Canadá. A capacidade de P&D existente e altamente complementar nessas áreas indica ser uma prioridade bilateral o desenvolvimento conjunto de novas ferramentas e terapias de diagnóstico, incluindo produtos farmacêuticos e biofarmacêuticos. Para aperfeiçoar o trabalho conjunto nessas áreas, as partes consideraram a cooperação em tecnologias transversais como benéficas à implementação do Plano de Ação, tais como bioinformática e nanobiotecnologia.

1b. Ciência e Tecnologia para os Oceanos

Brasil e Canadá são grandes nações marítimas com longos litorais, robustas economias marinhas e valores significativos de atividade industrial offshore. Ambos os países precisam equilibrar a gestão dos recursos marinhos com a atividade industrial marinha e fazer isso no contexto de um ambiente marinho em mutação devido ao aquecimento global. Com sólidas redes de universidades de pesquisa em oceanos, centros governamentais de pesquisa marinha e diversas empresas na área de tecnologia marinha avançada, há uma base consistente para  aprimorar a ação conjunta em P&D entre Brasil e Canadá, especialmente em duas áreas críticas associadas ao monitoramento dos grandes empreendimentos oceânicos dos países: tecnologia de sensores de próxima geração e plataformas oceânicas; e sistemas de observação oceânica e costeira, incluindo gerenciamento de dados.

1c. Energia Verde e Tecnologias Limpas

Há uma oportunidade significativa para P&D conjunta e comercialização nessa área, pois as áreas de energia e mineração são responsáveis por proporções significativas do PIB tanto no Brasil quanto no Canadá, com empresas líderes em ambos os países que operam com alto nível de atividade e êxito muito além de seus territórios nacionais. Há também um interesse crescente e compartilhado em assegurar a sustentabilidade do crescimento comercial nesses setores, bem como um desejo de minimizar o impacto da extração de recursos no meio ambiente. A atividade industrial existente e conjunta, associada aos potenciais complementares de P&D, indica uma ampla variedade de áreas com potencial para o desenvolvimento de projetos conjuntos, incluindo desenvolvimento de recursos hidrelétricos e de hidrogênio, smart grid, mineração verde e a introdução de nanotecnologia para energia verde.

1d. Tecnologias da Informação e das Comunicações

Com vastos territórios nacionais e desafios específicos associados à manutenção das redes de transmissão de dados de última geração confiáveis, Brasil e Canadá têm grande interesse em tecnologias da informação e das comunicações. Os dois países são líderes internacionais no desenvolvimento e adoção de tecnologias de computação e avançadas redes sem fio. Ambos os países mantêm grande interesse em desenvolver ainda mais a capacidade de P&D existente e complementar em áreas com significativo potencial global, tais como computação em nuvem (cloud computing), redes de banda larga sem fio e tecnologias de jogos.

Outra área potencial para a cooperação no âmbito do Plano de Ação encontra-se na mídia digital. Como afirmado pela Presidenta Dilma Rousseff e pelo Primeiro Ministro Stephen Harperem sua Declaração Conjunta de Agosto de 2011, Brasil e Canadá estão trabalhando conjuntamente em uma conferência 3.0. A primeira parte dessa iniciativa ocorre em abril de 2012, quando uma delegação brasileira com mais de 30 pessoas da indústria, academia e governo participa da Conferência Canadá 3.0 em Stratford, Ontário. A segunda parte da iniciativa ocorrerá quando o Brasil realizar a sua própria versão do evento no final de 2012.

Nanotecnologia: tanto Brasil quanto Canadá têm identificado a nanotecnologia como uma plataforma que pode ser usada em diversos setores. Essa área foi incluída como um tema “transversal” aos diversos grupos de trabalho.

Inovação: outro tema transversal no âmbito da ação conjunta Brasil-Canadá, práticas e iniciativas de inovação serão levadas em consideração no desenvolvimento de projetos específicos pelas partes no âmbito do plano de trabalho bilateral. Isto significa que a pesquisa de boa qualidade decorrente da cooperação bilateral deve levar em conta a possibilidade de seu uso criativo e barato por empresas e atores interessados em prol do benefício econômico e social para ambos os países.

  • Recomenda-se que os interlocutores interessados de cada setor entrem em contato com seus respectivos grupos de trabalho para participar do processo.
     

2. Seguir em Frente - Um Plano de Ação - Modalidades

Com o objetivo de estimular a atividade colaborativa e o desenvolvimento de projetos em cada uma das áreas prioritárias propostas acima, recomendamos uma combinação de modalidades inter-relacionadas. Essas incluem:

  1. patrocínio e financiamento de projetos de P&D colaborativos específicos nas áreas prioritárias identificadas acima, idealmente por meio de toda a comunidade de interlocutores;
  2. coordenação de programas para estimular a mobilidade de estudantes e pesquisadores no âmbito da indústria e da academia;
  3. organização de conferências, oficinas de trabalho, atividades de desenvolvimento de parceria e outros eventos com ampla participação em ambos os países; e
  4. desenvolvimento de mecanismos de comunicações eficazes e de amplo alcance para informar atores interessados em potencial, dar publicidade aos benefícios da cooperação Brasil-Canadá em ciência e tecnologia e relatar os sucessos obtidos com o passar do tempo por essa atividade.

Cada uma dessas modalidades é descrita detalhadamente abaixo.

2a. Estímulo a Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)

A pedra fundamental da colaboração Brasil-Canadá em P&D encontra-se no desenvolvimento de projetos e programação efetiva em apoio a esse desenvolvimento. Os projetos conjuntos devem contar com parcerias bem desenvolvidas e sólidas entre os diversos atores participantes, incluindo faculdades e universidades, instalações federais de ciências e, talvez o mais importante, a indústria. O objetivo desses projetos deve ter foco direto no desenvolvimento de produtos e/ou serviços que possam ser comercializados com êxito pelos parceiros do setor produtivo no Brasil e no Canadá. Também deve ser considerado o potencial em “terceiros” mercados, de forma a estabelecer Brasil e Canadá em conjunto como líderes em tecnologia dentro de setores específicos mundialmente. Embora esse objetivo seja inicialmente dirigido às áreas ou setores descritos acima, espera-se que as ações conjuntas bem sucedidas possam estender-se a outras áreas além dessas contempladas inicialmente.

Em relação ao desenvolvimento de mecanismos de financiamento específicos com esse fim, Brasil e Canadá felizmente possuem estrutura com antecedentes sólidos destinada a proporcionar o resultado proposto. Com custeio inicial do governo canadense e da parceira brasileira FAPESP (a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a International Science and Technology Partnerships Canada (ISTPCanada) lançou com sucesso, em 2010, um edital para chamada de seleção de projetos de P&D concentrados no setor produtivo - uma solicitação que resultou no financiamento de dois projetos em tecnologia de satélites e plásticos “verdes.” Outros dois projetos nas áreas de comunicação sem fio e computação zero client foram financiados no âmbito da chamada conjunta Brasil-Canadá de propostas entre propositores canadenses e contrapartes brasileiras de outros Estados.

Em apoio ao desenvolvimento de programas adicionais de financiamento de P&D com o Brasil, ISTPCanada recebeu uma contribuição adicional de $4,5 milhões do governo federal canadense em 2011 e agora busca parceiros em instituições brasileiras de financiamento tanto em nível federal, por meio de agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e instituições de financiamento à pesquisa em nível estadual. A ISTPCanada está desenvolvendo a próxima fase de financiamento de projetos de P&D Brasil-Canadá mediante o lançamento de editais conjuntos que se concentrarão nas áreas prioritárias identificadas neste Plano de Ação.

Enquanto os editais conjuntos terão foco em P&D no setor produtivo, entre empresas brasileiras e canadenses (com oportunidade de participação do setor de pesquisa universitária), o CNPq explorará maneiras de participar por meio da concessão de bolsas oferecidas no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras a cidadãos brasileiros no Canadá. Com base no escopo do edital conjunto, essas bolsas podem ser oferecidas a especialistas ou técnicos dispostos a passar período de 4 a 12 meses no Canadá, envolvidos com atividades de atualização e aperfeiçoamento de pessoal.

O Comitê Conjunto Recomenda que:

  • outras agências de financiamento brasileiras e canadenses considerem envolver-se e oferecer apoio financeiro a projetos de P&D. Os Conselhos de Concessão e outras organizações federais e provinciais no Canadá devem tomar conhecimento do Plano de Ação, bem como diversos órgãos brasileiros como CNPq, CAPES, FINEP, BNDES, INT e outros. Esse tipo de coordenação bilateral aumentaria significativamente o rol de opções de financiamento disponíveis para projetos e programas futuros entre Brasil e Canadá;
  • cada país identifique claramente um ponto de contato federal, cujas funções incluam: (1) liderança em editais para seleção de propostas de projetos e (2) atuação como garantidor do envolvimento em níveis federal, estadual, provincial e territorial.

2b. Construção de Pontes e Aperfeiçoamento da Mobilidade de Estudantes/Pesquisadores

A mobilidade de pessoal altamente qualificado é a pedra fundamental na construção de um relacionamento e projeto eficaz em P&D. Os níveis atuais de mobilidade entre estudantes e cientistas, tanto no setor público quanto no privado, entre Brasil e Canadá têm sido relativamente limitados. Entretanto, medidas estão sendo tomadas para solucionar essa limitação. Em nível federal, o Departamento de Relações Exteriores e Comércio Internacional do Canadá (DFAIT) oferece Bolsas de Pesquisa em Pós-Doutorado, bem como oportunidades de treinamento de curto prazo no Programa Emerging Leaders in the Americas nos níveis universitário, de graduação e pós-graduação. No contexto do Memorando de Entendimento Brasil-Canadá relativo à Mobilidade Acadêmica e Cooperação Científica, o programa Prêmio Brasil-Canadá, lançado em 2011, inclui projetos de pesquisa conjunta de dois anos e a previsão de mobilidade de aproximadamente 100 alunos de doutorado brasileiros e canadenses entre os dois países. As bolsas Canada Graduate Vanier, financiadas pelo Governo Federal, e as bolsas Banting Postdoctoral e diversos programas provinciais, tais como o Ontario’s Trillium Awards, estimulam a mobilidade ao atrair alunos graduados de qualidade superior para o Canadá.

Espera-se que o fluxo de estudantes e pesquisadores do Brasil para o Canadá aumentará consideravelmente em razão da implementação do programa brasileiro Ciência sem Fronteiras. No âmbito desta iniciativa, lançada em julho de 2011, o governo federal brasileiro, com a participação de indústrias e empresas estabelecidas no Brasil, patrocinará aproximadamente 100.000 estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores que buscam estudar e conduzir ação conjunta em P&D no exterior até 2015, nas áreas “STEM” (Ciência, Tecnologia Engenharia e Matemática). O governo do Brasil lançou recentemente duas chamadas públicas, com o objetivo de oferecer bolsas para estudantes de graduação do Brasil dispostos a estudar entre 09 e 10 meses no Canadá, que passariam até 3 meses em estágio orientado à pesquisa ou tecnológico em empresa, centro de pesquisa ou laboratório universitário. Estas chamadas públicas foram lançadas em parceria com o CALDO (Consórcio das Universidades de Alberta, Laval, Dalhousie e Ottawa) e o Escritório Canadense para Educação Internacional. Chamadas anteriores já foram encerradas no âmbito de acordos com a Association of Canadian Community Colleges e Mitacs. Outros acordos no âmbito do Ciência sem Fronteiras com outras instituições canadenses estão sob negociação. O Ciência sem Fronteiras também financiará atividades de intercâmbio para um número limitado de cientistas universitários que buscam expandir a ação conjunta em pesquisa no exterior. As quatro áreas setoriais prioritárias deste Plano de Ação são bem refletidas e adequadamente contempladas nesse programa.

Além disso, há tanto espaço quanto oportunidade para aprimorar o potencial impacto dos programas existentes de intercâmbio de estudantes e pesquisadores para melhor atender os objetivos da agenda de P&D entre Brasil e Canadá. Com vistas a progressivamente construir oportunidades para estudantes e pesquisadores no Brasil e no Canadá estudarem e conduzirem ação conjunta em P&D colaborativa reciprocamente em cada um dos países, o Comitê recomenda que:

  • todos os esforços sejam feitos para apoiar a mobilidade entre estudantes e pesquisadores participantes de projetos financiados;
  • sejam feitos esforços para assegurar a coordenação entre os programas de intercâmbio de estudantes e pesquisadores brasileiros e canadenses existentes, nos níveis federal ou provincial/estadual, baseados em agências dentro de instituições pós-secundárias, para assegurar que as oportunidades de intercâmbio para qualquer dos dois países sejam adequadamente promovidas e alcancem a maior divulgação possível; e
  • os participantes dos grupos de trabalho sejam estimulados a considerar a inclusão de estagiários (setor privado) ou estudantes/pesquisadores (instituições acadêmicas) em seus grupos de trabalho.

1c. Promoção de Eventos Brasil-Canadá

Os representantes do setor produtivo, estudantes e pesquisadores brasileiros e canadenses crescentemente participam de conferências internacionais que promovem o networking e o intercâmbio de ideias. Essas conferências também frequentemente proporcionam a base para colaboração futura, conforme estudantes e cientistas busquem aperfeiçoar ou expandir para se tornarem líderes em pesquisa e as empresas buscam ligar-se às ideias e conceitos da próxima geração que emerge dos campi universitários.

Dentre as áreas prioritárias identificadas neste Plano de Ação, há um grande número de eventos realizados a cada ano que oferecem excelentes oportunidades para a ampla promoção dos objetivos do Acordo Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, o desenvolvimento de oportunidades em P&D de interesse tanto para o Brasil quanto para o Canadá e, finalmente, o marketing e a venda de novas tecnologias Brasil-Canadá em potencial. Apenasno setor de Tecnologias Limpas, há aproximadamente uma dúzia de eventos planejados no Brasil ou no Canadá em 2012 em áreas como produção de hidroeletricidade, tecnologias smart grid, energia alternativa e mineração verde. Diversas reuniões recentes foram realizadas neste sentido sobre smart grid e doenças degenerativas, esta no setor de Ciências da Vida. De maneira semelhante, estão planejadas para este ano no mínimo quatro conferências internacionais concentradas em ciências do mar que contarão com a participação brasileira e canadense. Além disso, os principais players brasileiros no campo de mídia digital participarão da conferência Canadá 3.0 - o principal evento do Canadá que reúne os participantes do setor de TICs. Já há planos para a organização de uma conferência Brasil 3.0, a ser realizada no Brasil em 2012. Há também uma oportunidade relativa à participação Brasil-Canadá nos futuros megaeventos esportivos no Brasil - a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 -, destinada a exibir tecnologias e capacidades conjuntas. O Canadá também será bem-vindo a participar e reunir-se com o Brasil durante o Fórum Mundial de Ciências, a ser realizado no Rio de Janeiro em novembro de 2013.

Para ajudar a disseminar ainda mais as informações sobre as oportunidades de conferência existentes e estimular oportunidades para incorporar elementos-chave da agenda Brasil-Canadá ou desenvolver novos eventos para esse objetivo, o Comitê recomenda que os interlocutores interessados sejam estimulados a:

  • encontrar maneiras de alavancar os eventos existentes, como o Congresso Mundial de Tecnologia da Informação 2012 em Montreal ou a Hydrovision Brasil 2012, ou organizar eventos independentes, tais como o Brasil-Canadá 3.0, que promovam a ação conjunta em P&D e o networking de estudantes e cientistas dos setores público e privado em ambos os países; e
  • explorar oportunidades de aplicar e/ou demonstrar as tecnologias emergentes Brasil-Canadá na próxima Copa do Mundo no Brasil (2014) e Jogos Olímpicos (2016) e outros grandes eventos.

1d. Comunicação e Apoio

Como forma de apoio às atividades descritas acima, as oportunidades atuais e futuras relativas à colaboração Brasil-Canadá devem ser disseminadas continuamente. Este é um objetivo-chave da publicação deste Plano de Ação e também pode ser obtido, parcialmente, por meio dos próprios futuros editais conjuntos para financiamento da pesquisa ou mobilidade - publicados pela ISTPCanada e instituições de financiamento parceiras - e mediante a participação em eventos e conferências Brasil-Canadá. Os grupos de trabalho setoriais também incorporaram estratégias de comunicação em seus planos de trabalho para estimular a participação de interlocutores interessados em seus grupos.

A sabedoria convencional indica que um website ou uma rede de websites com links para programas existentes, agências de financiamento e oportunidades, interlocutores e colaboradores em potencial e programas educativos e de treinamento seriam mais adequados para este objetivo. Devido ao nível de sofisticação na área de mídia digital em ambos os países, serão exploradas outras oportunidades para a disseminação, inclusive a mídia social. Os coordenadores dos Grupos e co-presidentes e membros do Comitê Conjunto são estimulados a dar total publicidade e disseminação aos eventos e iniciativas de cooperação em andamento resultantes deste Plano de Ação.

Para explorar e desenvolver os meios mais apropriados para a coleta e distribuição de informações, o Comitê recomenda que:

  • sejam exploradas as opções e a viabilidade de desenvolvimento em conjunto de um website pelo Brasil e Canadá, que teria foco especificamente nas metas e objetivos deste Plano de Ação, ou que um website existente seja identificado como uma medida alternativa. Em qualquer caso, o website deve conter links para programas existentes de financiamento e mobilidade, bem como eventos e atividades futuras associados à cooperação Brasil-Canadá em ciência e tecnologia. Será considerado cuidadosamente quem irá hospedar e gerenciar o site sugerido para assegurar a sua relevância e utilidade contínuas.

3.  Tabela com Resumo das Ações

Devido à natureza e ao escopo variado das recomendações contidas na Seção anterior, é essencial, para assegurar resultados exitosos, que os objetivos sejam claramente estabelecidos dentro do contexto das medidas e prazos para obtenção dos resultados, com referência às pessoas e/ou agências responsáveis por proporcionar esses resultados. Esses objetivos e responsabilidades são resumidos abaixo:

Evento/Atividade

Resultados/Medidas

Coordenador(es)

Cronograma/Local

Criação de complemento sobre o Ciência sem Fronteiras (CsF) no âmbito do Comitê Conjunto

Fortalecer relação e estimular cooperação de longo prazo em áreas prioritárias; estimular participação do setor produtivo para elevar potencial de futura comercialização e pesquisa; envolver participantes do CsF nas atividades do Comitê Conjunto

Comitê Conjunto, em colaboração com interlocutors do CsF (CNPq, CAPES, DFAIT, AUCC, CBIE, etc.)

Em andamento

Videoconferências trimestrais do Comitê Conjunto

Avaliar progresso no âmbito do Comitê Conjunto; trazer novas sugestões; atualizar projetos vindouros

Co-presidentes do Comitê Conjunto

Em andamento

Evento Brasil-Canadá de Matchmaking em Smart Grid

32 delegados do Brasil e 59 empresas canadenses participaram como convidados; mais de 330 reuniões individuais entre empresas; e potencial para grandes colaborações

ISTPCanada

5-9 de dezembro de 2011; Vancouver & Toronto

*concluído com sucesso

Organização de uma sessão bilateral de ciências da vida na Conferência Prionet

Networking entre pesquisador e setor produtivo e disseminação de informações para pesquisadores e estudantes sobre oportunidades de financiamento pendentes para pesquisa colaborativa em neurociências

Coordenadores do Grupo de Trabalho em Ciências da Vida

07-08 de março de 2012

*concluído com sucesso

Organização de encontro bilateral na Oceanology International

Determinar o formato, agenda e participantes em potencial para o futuro workshop multilateral

Grupo de Trabalho em Oceanos

15-17 de março de 2012 *concluído com sucesso

Lançamento do Plano de Ação no Fórum de Inovação

 

Ajudar a direcionar a cooperação em C,T&I; apresentar aos interlocutores informações claras sobre a estratégia atual aos participantes; solicitar colaboração e participação dos interlocutores

Co-presidentes do Comitê Conjunto

São Paulo, 27 de abril de 2012

Lançamento de editais conjuntos para propostas com ISTPCanada e instituições parceiras brasileiras

Financiamento de no mínimo 10 projetos bilaterais de P&D envolvendo múltiplos interlocutores, inclusive o setor produtivo, em áreas prioritárias determinadas pelo Comitê Conjunto

Canadá: ISTPCanada, NSERC.

Brasil: FAPESP, FAPEMIG, FACEPE, FAPERJ & CNPq

Lançamento em abril de 2012, para conclusão do projeto até março de 2015

Organização da Conferência Brasil-Canadá 3.0 - Parte I

O Brasil deve participar da Canadá 3.0, incluindo um workshop com um dia de duração e com a incorporação de temas relevantes em todo o evento

Rede de Mídia Digital canadense; coordenadores do Grupo de Trabalho de TIC

23-25 de abril de 2012 / Stratford, Ontário

*concluído com sucesso

Reunião do Grupo de Trabalho de Tecnologias Limpas/Energia Verde

Reuniões a serem realizadas às margens da Canadá 3.0

Coordenadores do Grupo de Trabalho de Tecnologias Limpas/Energia Verde

24-27 de abril/ Ontário

*concluído com sucesso

Organização de uma reunião bilateral na Conferência Internacional Polar Year 2012

Workshop para o grupo de trabalho e ações adicionais determinadas

Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia para os Oceanos

22-27 de abril de 2012/ Montreal, Canadá

*concluído com sucesso

Organização do Primeiro Workshop Conjunto Brasil-Canadá sobre Ciência e Tecnologia de Oceanos

Reunião dos membros do grupo de trabalho e identificação dos principais projetos e iniciativas para financiamento e desenvolvimento adicional

Grupo de Trabalho de Tecnologia para os Oceanos

09-11 de maio de 2012 - Rio de Janeiro, Brasil

XVIII Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia 2012

Painel concentrado na Colaboração Brasil-Canadá em Pesquisa e Inovação sobre Envelhecimento

Grupo de Trabalho de Ciências da Vida

23 de maio de 2012, Rio de Janeiro

Conferência de Nanotecnologia Brasil-Canadá

Prospecção de projetos sobre o uso da nanotecnologia para a produção de energia limpa

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil (MCTI)

Agosto de 2012

Proposta para uma Cúpula/Laboratório de Inovação (sujeita a consulta às partes envolvidas)

Acompanhar as diretrizes estabelecidas na primeira reunião do Comitê Conjunto e discutir novos programas e projetos para cooperação futura

Agência Brasileira para o Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Federação Canadense de Empresas Independentes (CFIB)

Toronto, agosto/ setembro de 2012

Desenvolvimento da estratégia de comunicação em C&T Brasil-Canadá

Estimular a participação de interlocutores na implementação do Plano de Ação; aprimorar as atividades existentes para fortalecer a colaboração com base nelas

DFAIT; Itamaraty; MCTI

Setembro de 2012

Organização do Painel Brasil-Canadá na WCIT 2012

Painel incluído no programa com a participação de todos os interlocutores, inclusive o setor produtivo, para a exibição de tecnologia Brasil-Canadá

Coordenadores do Grupo de Trabalho de TICs

22-24 de outubro de 2012 / Montreal

Organização da Conferência Brasil-Canadá 3.0 - Parte II

O Brasil sediará uma Conferência Brasil 3.0 com a participação do Canadá

Itamaraty, Grupo de Trabalho de TICs

Novembro/ Dezembro de 2012, Paraíba

2ª Reunião do Comitê Conjunto

Fazer um balanço dos desenvolvimentos; determinar as próximas etapas

Itamaraty; MCTI; Comitê Conjunto

Dezembro de 2012 (a confirmar) / Brasil

Congresso Empresarial Mundial

Reunir jovens inovadores brasileiros e canadenses

Start-Up Brasil

2013/ Rio de Janeiro

Revisão Anual do Plano de Ação

Exercício de balanço das atividades e impactos das iniciativas específicas realizadas durante o ano anterior

Comitê Conjunto

Abril de 2013

 

Participação do Canadá no Fórum Mundial de Ciências

Trazer cientistas e pesquisadores canadenses para discutir ideias e experiências com pesquisadores brasileiros relativas às ligações entre pesquisa científica e desenvolvimento econômico

Academia Brasileira de Ciências (ABC); Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Rio de Janeiro/ novembro de 2013

Revisão Estratégica do Plano de Ação Conjunto

Esta revisão deve ser concluída ao final da fase de implantação do Plano de Ação atual, para medir os resultados; determinar as próximas etapas e possíveis novas áreas setoriais prioritárias

Comitê Conjunto

2014

 
4. Assegurar a Sustentabilidade

Por este Plano de Ação objetiva-se a implementação de diversas iniciativas específicas em apoio a uma agenda conjunta Brasil-Canadá de Ciência, Tecnologia e Inovação, como delineado acima. Há também diversas atividades, programas e iniciativas atuais organizados de forma independente, muitos deles mencionados neste relatório, para possibilitar a concretização desses objetivos. Como exemplo, há diversos programas de prêmios para mobilidade estudantil e de pesquisa oferecidos pelos nossos respectivos governos federal, estadual e provincial, bem como a atividade contínua de networking entre associações de empresas, tais como as duas câmaras de comércio bilateraisem São Paulo e Toronto. Há também atividades setoriais, tal como em agricultura, por meio do Comitê Consultivo Bilateral sobre Agricultura, dos Diálogos Brasil-Canadá de Energia e Biocombustíveis e, potencialmente, o Grupo de Trabalho Bilateralem Aeronáutica. Todos esses mecanismos estão relacionados ao Conselho Econômico e Comercial Conjunto Brasil-Canadá (JETC), já que apresentam relatos ao JETC. O JETC é o principal fórum bilateral que abrange atividades para o progresso dos elementos econômicos e comerciais da nossa relação bilateral. Finalmente, o fórum de CEOs Brasil-Canadá, formado para fomentar o comércio, investimento e inovação entre os dois países, apresentará intersecção com a missão do Comitê.

A coordenação do trabalho proposto de acordo com as recomendações contidas neste Plano de Ação será desafiadora. Além disso, outro fator de complexidade será manter-se a par dos desenvolvimentos atuais realizados por meio de outras iniciativas independentes nos dois países e trabalhar para incorporá-los à cooperação Brasil-Canadá. Portanto, em apoio a essa agenda mais ampla, faz-se extremamente necessário assegurar a identificação de recursos que possam ser dirigidos a iniciativas específicas que assegurem o impacto de curto prazo, bem como a sustentabilidade no curto e longo prazos.

As Embaixadas e Consulados tanto no Brasil quanto no Canadá serão essenciais na implementação do plano. O Comitê recomenda o alinhamento dos recursos adequados para gerenciar de maneira eficaz a implementação do Plano de Ação e para assegurar a viabilidade em maior prazo da relação de cooperação entre Brasil e Canadá em Ciência, Tecnologia e Inovação. Isto será necessário para:

  • realizar a coordenação com as agências de financiamento de P&D e associações do setor produtivo no Brasil e no Canadá para assegurar o financiamento adicional para a cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação;
  • gerenciar mecanismos de comunicações e coordenação associada de disseminação de informações sobre a programação atual e a planejada e oportunidades para os interlocutores interessados em ambos os países;
  • preparar uma revisão anual das atividades e o impacto das iniciativas específicas realizadas durante o ano anterior em alinhamento e de acordo com as recomendações contidas neste Plano de Ação e na relação mais ampla de ciência e tecnologia entre Brasil e Canadá; e
  • ajudar a organizar e preparar eventos e ações considerados na estratégia geral de cooperação em ciência, tecnologia e inovação entre Brasil e Canadá.

Além dos principais representantes nos respectivos Ministérios ou Departamentos designados no Brasil e no Canadá, o Comitê, atuando como “conselho” consultivo com representação dos principais grupos de interlocutores interessados, deverá apresentar contribuição periódica acerca do impacto da programação existente e recomendações para iniciativas futuras.
 

COMENTÁRIOS FINAIS

Em nome dos colegas do Comitê Conjunto reconhecemos o impressionante volume de trabalho e tempo investidos na preparação do presente Plano de Ação, que buscará construir e expandir iniciativas importantes que têm ocorrido nos últimos anos, bem como explorar novas vias de cooperação. Entretanto, acreditamos que o sucesso do esforço conjunto que visamos no contexto do Acordo bilateral sobre Ciência, Tecnologia e Inovação será proporcional ao seu cumprimento efetivo.

Nesse sentido, reassumimos o compromisso de buscar os objetivos descritos no Acordo Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação mediante o acompanhamento das estratégias que delineamos e a criação permanente de novas oportunidades para envolvimento em atividades conjuntas. Nesse sentido, o Plano de Ação deve ser visto como um documento vivo, sujeito a aperfeiçoamentos contínuos e graduais.

Reiteramos, acima de tudo, nossa intenção em explorar integralmente o potencial decorrente da criação de uma estrutura de cooperação na qual os representantes dos governos, academia, institutos de P&D e o setor privado possam colaborar de maneira abrangente e consistente. A sinergia gerada dessa interação é um ativo valioso que nós pretendemos manter e cultivar.

Benedicto Fonseca Filho
Co-presidente brasileiro do Comitê

Jamshed Merchant
Co-presidente canadense do Comitê

 

Comitê Conjunto Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação 

Co-presidentes

  • Benedicto Fonseca Filho, Diretor do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores
  • Jamshed Merchant, Vice-Ministro Adjunto de Agricultura do Canadá
     

Secretários-Executivos

  • Carmen Moura, Chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
  • Peter MacArthur, Diretor-Geral do Escritório de Oportunidades de Negócios Globais do Departamento de Assuntos Estrangeiros e Comércio Exterior do Canadá
     

Representantes do Governo

  • Helena Nader, Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
  • Anil Arora, Vice-Ministro Adjunto do Setor de Metais e Minerais da Recursos Naturais do Canadá
     

Representantes da Academia

  • Marcio de Castro Silva Filho, Diretor de Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
  • Ted Hewitt, Professor da Universidade de Western Ontario e Pesquisador Visitanteem Política Pública do Instituto do Brasil do Centro Internacional para Acadêmicos Woodrow Wilson
     

Representantes do Setor Produtivo

  • Paulo Mol Jr., Gerente-Executivo de Políticas Industriais e Inovação da Confederação Nacional da Indústria
  • Greg Vanclief, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios da Wesley Clover

 

Acordo-Quadro Brasil-Canadá para Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7345.htm


 

Footer

Data da última atualização:
2012-09-07