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O Natal no Canadá - Embaixador Jamal A. Khokhar - Correio Braziliense • Brasília, quinta-feira, 1º de janeiro de 2015 • Diversão&Arte • P. 2

No Canadá, o Natal é celebrado de diversas maneiras. Isso porque o Canadá, como o Brasil, é um país que acolheu imigrantes de várias partes do mundo, cujas tradições de festas de fim de ano são influenciadas por seus antepassados e suas religiões. Assim, não se pode dizer que exista uma característica comum a toda essa diversidade de costumes. O que posso afirmar é que, para a maioria das crianças, o Natal não começa até que a árvore, com sua magia especial, seja enfeitada.

Para melhor explicar, apresento alguns exemplos de tradições natalinas em certas regiões do Canadá. Na manhã de 13 de dezembro, em muitas casas na Ilha deVancouver, segundo o costume sueco, meninas usando uma coroa de Santa Lúcia acordam seus pais com biscoitos feitos de gengibre. No outro lado do país, na província de Terra Nova, o Natal é celebrado de uma maneira bastante original. Há,com certeza, a tradicional árvore de Natal, a Missa doGalo e a troca de presentes, mas, além disso, os jovens se fantasiam e vão, de porta em porta, visitar as pessoas idosas e oentes.Elestambémtocame cantam nas ruas. Os precursores desses cantores foram os trovadores da Idade Média. Isolada do resto do país, Terra Nova tem preservado os costumes europeus, e seus habitantes, na grande maioria, são descendentes de irlandeses e ingleses.

As tradições das colônias francesas são respeitadas no Québec e pelas famílias franco-canadenses no resto do país. Os preparativos têm início com semanas de antecedência: a família inteira decora a casa, prepara a árvore emonta um pequeno presépio, normalmente colocado junto da árvore, que é decorada com bolas, fitas, lantejoulas, luzes e, no topo, uma estrela.  Na véspera deNatal, o banquete é reservado para a ceia da noite.  Após voltarem da missa, família, amigos e parentes se reúnem ao redor da árvore de Natal para trocar os presentes. Todos se sentam então para a melhor e mais farta refeição do ano, cujo cardápio inclui  aperitivos e salgadinhos, presunto, peru ou ganso recheado, legumes, salada e torta de frutas.

Nos lares gregos e italianos, balas, frutas e pequenas cestas de guloseimas são penduradas nos galhos da árvore deNatal.Em muitas cidades, pais de origem austríaca ou alemã ensinam a suas crianças como fazer a tradicional coroa de pinheiro e acendem uma vela a cada domingo do Advento. Para os canadenses de origem holandesa, o dia de Natal é passado tranquilamente.Os presentes são trocados duas semanas antes, em 6 de dezembro, dia de São Nicolau, protetor dos estudantes, dos bons meninos e das meninas. Nessa mesma data, São Nicolau distribui os presentes para as famílias de origem polonesa e ucraniana.

Para os métis, cultura nascida da união de franco-canadenses com indígenas, o Natal é uma ocasião para uma grande reunião de família.Em 24 de dezembro, têm início as festividades que podem durar duas semanas. Os homens dão tirosde rifle para marcar o início dos festejos. Depois há uma alegre reunião de família, com troca de presentes, e quando se vestem com  suas melhores roupas: mocassins, cintos e flechas decoradas com missangas coloridas. A refeição inclui carne de búfalo, caribu, veado ou alce, além de amoras, batatas e arroz integral.

Sendo um país multicultural,nós canadenses reconhecemos as numerosas outras tradições observadas pelas diversas comunidades étnicas e religiosas que compõem nossa nação. Em dezembro, a data importante para a comunidade judaica é Chanucá, uma celebração que dura oito noites. As comunidades muçulmana, sikh e hindu têm suas próprias tradições, igualmente ricas. Para os canadenses de origem chinesa e persa, o ano-novo em seus calendários tradicionais é a celebração mais importante do ano. Essa diversidade contribui muito para o mosaico cultural e para a riqueza canadense.

No Canadá, o Natal sempre é uma época de neve e gelo, mas apesar do frio, também é um tempo para compartilhar votos calorosos para aquecer o coração. Desejo-lhe boas festas e um próspero ano-novo!


O artigo foi publicado no jornal Correio Braziliense no dia 01 de janeiro de 2015 na página 2 da seção Diversão & Arte, na coluna 360 Graus da jornalista Jane Godoy.

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Data da última atualização:
2015-01-07